ICTL destaca importância da equipe de enfermagem no processo de tratamento

Gisele Mendes

O Dia Mundial da Enfermagem é comemorado nesta sexta-feira (12) e o ICTL (Instituto do Câncer de Três Lagoas) faz questão de ressaltar a importância desses profissionais, que realizam um trabalho ímpar e que contribui com o tratamento de cada paciente.

Uma dedicatória define o trabalho desses profissionais no instituto: “Profissional de Enfermagem, o branco da sua roupa transmite a paz, o calor do seu coração aquece a alma, a sua dedicação levanta o ânimo, o seu sorriso alegra o coração, o seu carinho faz muita diferença, o seu toque transmite energia. Por isso, você é uma dádiva de Deus na vida daqueles que precisam da sua dedicação. Neste seu dia, lhe desejo muita paz, alegria e prosperidade e que o Senhor Deus ilumine sempre a sua vida”.

Esse texto foi dedicado pela enfermeira chefe da Oncologia do ICTL, Rose Silva. De acordo com ela, o dia é do enfermeiro, porém, toda a equipe, que inclui técnicos e auxiliares de enfermagem, é fundamental em todas as etapas do tratamento de quem luta contra o câncer.

“São eles que administram os medicamentos, dão banho, quando necessário, trocam os curativos. Enfim, eles são importantes em todas as etapas e são fundamentais na equipe do ICTL”, destacou.

Conforme Rose, o trabalho da equipe vai além de tudo o que já foi citado. Além do que já faz parte da rotina, enfermeiros ouvem os desafios, desabafos de cada paciente e os aconselham. “Em muitas ocasiões, choramos juntos com eles, pois somos seres humanos e frágeis”, disse.

Dedicada a profissão de técnica em enfermagem há 35 anos, Valdelice Massal de Oliveira atua há dois anos no setor oncológico. Sempre com um sorriso no rosto e simpatia que se vê de longe, ela destaca que o trabalho desenvolvido pela equipe é importantíssimo para o processo de tratamento. Isso porque, cada paciente recebe a notícia de que tem câncer de forma particular. “Temos que ter cautela, temos que oferecer muito carinho para eles e também para a família, é um trabalho muito lindo, sou feliz pela escolha que fiz”, salientou.

O Centro de Reabilitação para pacientes oncológicos do Hospital Auxiliadora está em pleno funcionamento desde março de 2017.

O Centro de Reabilitação para pacientes oncológicos do Hospital Auxiliadora está em pleno funcionamento desde março de 2017.

Esta unidade integra o complexo ambulatorial/internação do SUS -21 leitos oncológicos de alto padrão para atender pacientes de toda a Costa Leste do Mato Grosso do Sul, vinculados ao Unacon Três Lagoas.

A fisioterapeuta do Instituto do Câncer Camila Ziganti Favaro explica que além do tratamento convencional, são oferecidos modalidades alternativas como seções de pilates para os usuários. A aquisição dos equipamentos foi uma iniciativa do Rotary de Três Lagoas em conjunto com a Fibria Celulose.

Para o diretor técnico do serviço, Dr. José Márcio Barros de Figueiredo – Oncologista Clínico, poder contar com uma assistência multidisciplinar oncológica é a fórmula do sucesso pra se conseguir um tratamento resolutivo e humanizado.

Parabéns a todos os envolvidos! Nossos pacientes agradecem.

Cirurgião oncológico de Três Lagoas fala sobre câncer colorretal

Março é considerado o mês de conscientização contra o câncer colorretal. O movimento faz parte de uma ação global para chamar a atenção da sociedade para a prevenção e o diagnóstico precoce. Caracterizado por tumores no intestino grosso (o cólon) e no reto, o câncer colorretal tem como fatores de risco a má alimentação, histórico familiar, baixo consumo de cálcio, além da obesidade e sedentarismo.

O médico e cirurgião oncológico, Rodrigo A. Melão Martinho, falou sobre a doença, a prevenção e sintomas.

Confira a entrevista:

O que é câncer de colorretal?
Câncer colorretal basicamente se trata do câncer do intestino ( especificamente intestino grosso). Nos últimos anos a incidência dessa neoplasia vem aumentando significativamente, principalmente devido ao processo de envelhecimento e mudanças no estilo de vida da população. Atualmente, a incidência no Brasil é muito alta, com cerca de 35 mil casos por ano, sendo o terceiro tipo de câncer que mais mata.

Existe prevenção para a doença?
O mecanismo de início e progressão do câncer colorretal é bem conhecido, iniciando normalmente de uma lesão benigna chamada pólipo, progredindo, com o passar dos anos, para o câncer propriamente dito. Neste sentido, esforços são feitos para a detecção precoce destas lesões através da colonoscopia, ou seja, detectar a neoplasia no estágio mais inicial possível (prevenção secundária).

Em relação as medidas realizadas para evitar o surgimento dessas lesões (prevenção primária), podemos destacar uma boa alimentação, rica em frutas, diminuição do consumo de carne vermelha e gordura animal. Recentemente, vários estudos vêm comprovando que a obesidade está associada ao aumento de várias neoplasias, entre elas o câncer do intestino.

Existe algum tipo de exame que deve ser feito periodicamente para prevenir a doença?
O exame mais comum e de fácil acesso a população em geral é o sangue oculto na fezes, e deve ser realizado anualmente após os 50 anos de idade. Como dito, a colonoscopia, que além de detectar lesões no intestino, podem extirpar os pólipos intestinais evitando a progressão para o câncer.

Quem tem mais predisoposição para o câncer de colorretal?
Com certeza o maior fator de risco é a idade; pessoas acima dos 50 anos têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Outros hábitos também estão associados a um maior risco, como o tabagismo, obesidade, doença inflamatória intestinal, antecedente familiar de primeiro e segundo graus com história positiva para câncer colorretal e algumas síndromes hereditárias como a pólipose familiar.

Ela acomete mais pessoas de qual sexo e idade?
Como dito anteriormente, a idade é o maior fator risco, sendo assim a maioria dos pacientes tem acima dos 60 anos de idade. Homens e mulheres são afetados de forma similar, e, segundo o INCA, a estimativa do número de casos novos em 2016 foi de 34.280, sendo 16.660 homens e 17.620 mulheres.

Quais os sintomas desse tipo de câncer?
O sangramento ao evacuar é o sinal mais comum, anemia sem causa aparente, principalmente em pessoas com mais de 50 anos, alterações no hábito intestinal (diarreia ou intestino preso), desconforto abdominal com gases ou cólicas, permanência da vontade de evacuar mesmo após a evacuação chamam a atenção de que a causa possa ser um tumor.
Emagrecimento intenso e sem explicação, fraqueza, fezes pastosas e escuras e sensação de dor na região anal também podem estar relacionados com tumores. Caso apresente algum desses sinais e sintomas procure um médico. Salientamos que outras doenças, que não o câncer, também pode apresentar alguns desses sintomas.

Se descoberto precocemente, quais as chances de cura?
Quanto mais precoce a detecção da lesão maiores são as chances de cura. Por exemplo, a taxa de cura para paciente diagnosticado no estágio I é de 87%, já no estágio IV a sobrevida gira em torno de 12%.

Como e feito o tratamento?
O tratamento nos tumores iniciais geralmente é menos agressivo, através da retirada de pólipos e lesões pela colonoscopia ou por cirurgias com ressecções locais dos tumores. Nos tumores maiores do cólon há necessidade de cirurgia (convencional, laparoscópica ou robótica). Nos tumores do reto pode haver necessidade de radioterapia e quimioterapia antes da cirurgia. Resumindo, o tratamento envolve radioterapia, quimioterapia e/ou cirurgia dependendo do local, do tamanho e extensão da doença no cólon ou em outros órgãos no caso de existirem metástases (aparecimento do tumor em outro órgão como fígado ou pulmão, por exemplo). Quanto mais precoce o tratamento menor a agressividade e o tempo de tratamento, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente.

Iniciadas as obras de terraplanagem onde será construído o anexo do ICTL

O ICTL (Instituto do Câncer de Três Lagoas) comemora mais uma conquista: iniciou nesta terça-feira (7) o processo de terraplanagem no terreno onde será construído o anexo do ICTL e do Hospital Auxiliadora. A construção civil deve ser iniciada em 120 dias e será concluída em 12 meses.

O terreno está localizado no Residencial Montanini, na saída para Selvíria e possui área de cinco mil metros quadrados, sendo a área de construção dois mil metros quadrados. De acordo com o oncologista clínico do ICTL, José Márcio Barros de Figueiredo, a obra do anexo está avaliada em R$ 10 milhões e o novo espaço oferecerá atendimento ambulatorial aos pacientes de Três Lagoas e região.

Conforme Figueiredo, o espaço contará com oito consultórios médicos e tratamentos ambulatoriais, como quimioterapia, radioterapia e braquiterapia. Este último, inclusive, é feito em um aparelho que antes só tinha em campo grande; Três Lagoas é a segunda cidade do Estado a contar com o equipamento, bastante utilizado no tratamento contra o câncer de colo de útero.

Vale ressaltar também, que o ITCL contará com o aparelho “Pet Scan”, que permite o mapeamento de diferentes substâncias químicas radioativas no organismo e capaz de identificar a maioria dos tipos de canceres, através de um único exame.

Todas essas conquistas são uma grande vitória para Três Lagoas. De acordo com Figueiredo, o município se tornará um grande polo na área da saúde com a construção da nova unidade do ICTL, a modernização do Hospital Auxiliadora, assim como a construção do Hospital Regional. “Quem ganha são nossos pacientes, que continuarão tendo acesso a tratamento de qualidade sem precisar sair da cidade, ou do estado”, destaca.

O médico oncologista clínico disse também que um dos grandes diferenciais do ICTL, além dos equipamentos altamente tecnológicos, será o atendimento igualitário de qualidade oferecido aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde): “Não seremos um serviço que oferece uma ala para o particular e outra para o SUS, todos receberão o mesmo atendimento de qualidade em uma estrutura de primeiro mundo”, disse destacando ainda que o ICTL oferecerá 80% do atendimento a conveniados ao SUS e 20% aos pacientes que possuem plano de saúde.
Atualmente, o ICTL atende uma média de 800 pessoas por mês, realizando em média 200 quimioterapias nesse período. No ano passado, 10 mil pacientes passaram pelo local.