Cirurgião oncológico de Três Lagoas fala sobre câncer colorretal

Março é considerado o mês de conscientização contra o câncer colorretal. O movimento faz parte de uma ação global para chamar a atenção da sociedade para a prevenção e o diagnóstico precoce. Caracterizado por tumores no intestino grosso (o cólon) e no reto, o câncer colorretal tem como fatores de risco a má alimentação, histórico familiar, baixo consumo de cálcio, além da obesidade e sedentarismo.

O médico e cirurgião oncológico, Rodrigo A. Melão Martinho, falou sobre a doença, a prevenção e sintomas.

Confira a entrevista:

O que é câncer de colorretal?
Câncer colorretal basicamente se trata do câncer do intestino ( especificamente intestino grosso). Nos últimos anos a incidência dessa neoplasia vem aumentando significativamente, principalmente devido ao processo de envelhecimento e mudanças no estilo de vida da população. Atualmente, a incidência no Brasil é muito alta, com cerca de 35 mil casos por ano, sendo o terceiro tipo de câncer que mais mata.

Existe prevenção para a doença?
O mecanismo de início e progressão do câncer colorretal é bem conhecido, iniciando normalmente de uma lesão benigna chamada pólipo, progredindo, com o passar dos anos, para o câncer propriamente dito. Neste sentido, esforços são feitos para a detecção precoce destas lesões através da colonoscopia, ou seja, detectar a neoplasia no estágio mais inicial possível (prevenção secundária).

Em relação as medidas realizadas para evitar o surgimento dessas lesões (prevenção primária), podemos destacar uma boa alimentação, rica em frutas, diminuição do consumo de carne vermelha e gordura animal. Recentemente, vários estudos vêm comprovando que a obesidade está associada ao aumento de várias neoplasias, entre elas o câncer do intestino.

Existe algum tipo de exame que deve ser feito periodicamente para prevenir a doença?
O exame mais comum e de fácil acesso a população em geral é o sangue oculto na fezes, e deve ser realizado anualmente após os 50 anos de idade. Como dito, a colonoscopia, que além de detectar lesões no intestino, podem extirpar os pólipos intestinais evitando a progressão para o câncer.

Quem tem mais predisoposição para o câncer de colorretal?
Com certeza o maior fator de risco é a idade; pessoas acima dos 50 anos têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Outros hábitos também estão associados a um maior risco, como o tabagismo, obesidade, doença inflamatória intestinal, antecedente familiar de primeiro e segundo graus com história positiva para câncer colorretal e algumas síndromes hereditárias como a pólipose familiar.

Ela acomete mais pessoas de qual sexo e idade?
Como dito anteriormente, a idade é o maior fator risco, sendo assim a maioria dos pacientes tem acima dos 60 anos de idade. Homens e mulheres são afetados de forma similar, e, segundo o INCA, a estimativa do número de casos novos em 2016 foi de 34.280, sendo 16.660 homens e 17.620 mulheres.

Quais os sintomas desse tipo de câncer?
O sangramento ao evacuar é o sinal mais comum, anemia sem causa aparente, principalmente em pessoas com mais de 50 anos, alterações no hábito intestinal (diarreia ou intestino preso), desconforto abdominal com gases ou cólicas, permanência da vontade de evacuar mesmo após a evacuação chamam a atenção de que a causa possa ser um tumor.
Emagrecimento intenso e sem explicação, fraqueza, fezes pastosas e escuras e sensação de dor na região anal também podem estar relacionados com tumores. Caso apresente algum desses sinais e sintomas procure um médico. Salientamos que outras doenças, que não o câncer, também pode apresentar alguns desses sintomas.

Se descoberto precocemente, quais as chances de cura?
Quanto mais precoce a detecção da lesão maiores são as chances de cura. Por exemplo, a taxa de cura para paciente diagnosticado no estágio I é de 87%, já no estágio IV a sobrevida gira em torno de 12%.

Como e feito o tratamento?
O tratamento nos tumores iniciais geralmente é menos agressivo, através da retirada de pólipos e lesões pela colonoscopia ou por cirurgias com ressecções locais dos tumores. Nos tumores maiores do cólon há necessidade de cirurgia (convencional, laparoscópica ou robótica). Nos tumores do reto pode haver necessidade de radioterapia e quimioterapia antes da cirurgia. Resumindo, o tratamento envolve radioterapia, quimioterapia e/ou cirurgia dependendo do local, do tamanho e extensão da doença no cólon ou em outros órgãos no caso de existirem metástases (aparecimento do tumor em outro órgão como fígado ou pulmão, por exemplo). Quanto mais precoce o tratamento menor a agressividade e o tempo de tratamento, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente.